About Me
Joana Cortes
Nasci em Cascais, em 1980, e cresci rodeada de pessoas, histórias e experiências que marcaram profundamente a forma como vejo e sinto o mundo. Neta de uma varina e de um pescador, tive desde cedo contacto com diferentes realidades e formas de viver. A costura e o universo do teatro de revista também fizeram parte do meu imaginário, através da proximidade com uma costureira ligada a esse meio.
A minha infância foi rica em relações humanas, cor e presença artística. Cresci com uma mãe moderna e emancipada, e com o apoio constante do meu pai e do meu irmão, num ambiente que me permitiu desenvolver livremente a minha curiosidade e vontade de criar.
A Fundação Calouste Gulbenkian ocupa um lugar especial nas minhas memórias de infância. Desde muito pequena até aos 13 anos, frequentei o ATL do Parque Marechal Carmona, um espaço maravilhoso onde as atividades artísticas me permitiram experimentar, descobrir e explorar diferentes formas de expressão. Esses anos foram fundamentais para alimentar a minha imaginação e despertar em mim uma vontade livre e espontânea de criar, que me acompanha desde então.
Sou licenciada em Arquitetura do Design e da Moda pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Em 2010, nasceu a Tilly, um projeto que, em 2015, deu lugar à Joana D’Arco, a minha marca de roupa infantil de cerimónia. O design de moda trouxe-me uma relação próxima com os tecidos, as cores, as formas e os materiais, que continuam a fazer parte da minha linguagem criativa.
A pintura ocupa hoje um lugar central no meu trabalho e nasce de um fascínio pelo universo feminino — da infância à idade adulta, das pequenas meninas às mulheres. Interessa-me representar a delicadeza, a força, os gestos, as emoções, as memórias e os símbolos, explorando as diferentes formas de ser e sentir, sempre com a presença das mulheres que fizeram e fazem parte da minha vida.
Muitas das figuras, paisagens e lugares, reais ou imaginários, que surgem nas minhas pinturas partem das memórias e da forma como, em criança, via e sentia o mundo que me rodeava. São imagens que ficaram comigo — lugares, objetos, seres, ambientes, pequenas cenas e sensações que, com o tempo, se transformaram e reaparecem através da pintura, reinterpretadas pelo meu olhar de mulher.
Vejo a pintura, o design e a criação de objetos como partes de um mesmo universo pessoal, onde a arte, a memória, a cor e a imaginação se cruzam livremente. Continuo a explorar materiais, formas e possibilidades, num percurso aberto à experimentação, onde cada ideia pode encontrar a sua própria forma de expressão.

